Golpismo e o futuro da Direita no Brasil

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Antes de discorrer sobre os lamentáveis fatos ocorridos no último domingo, 08, em Brasília, quando terroristas depredaram ao invadirem – com a conivência de autoridades diretamente responsáveis pela segurança da Praça dos Três Poderes – o Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional, vale, portanto, delimitar o que é Direita e Extrema-Direita.

De partida, o extremismo ficou em evidência e predominante com a chegada ao poder do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2019. Até então, se tinha os conservadores, liberais (sob o ponto de vista econômico), que acabam por se resumir no campo à Direita. Todavia, essa massa com a chegada do ex-capitão do Exército ao Palácio do Planalto, passou a promover ações extremistas.

O que se viu em Brasília no último domingo foi a confirmação disso. Está mais do que claro que se tentou um novo golpe de Estado, assim como se tentou em setembro de 2021, por ocasião da Independência do Brasil, porém, à época, as Forças Armadas não embarcaram na “aventura” bolsonarista. Sem falar sobre o intermitente questionamento sobre a segurança do sistema eletrônico eleitoral. Os ataques às instituições sempre foram a tônica do governo anterior, o que se refletiu no ódio bolsonarista, posto em prática no último domingo.

A alegria estampada nos rostos dos terroristas no ato de depredar bens públicos tombados pelo Patrimônio Histórico, a narrativa de revolta contra o “sistema”, tudo isso foi fomentado diretamente por Jair Bolsonaro, que tem muita responsabilidade sobre o sinistro na Praça dos Três Poderes.

Todo o processo pós a eleição seguiu um rito, etapas que culminaram na tentativa de golpe no último domingo. O silêncio de Bolsonaro por dois meses e acampamentos em frente aos quartéis, faziam parte de um plano que se somou com a conivência e omissão de diversas autoridades, dentre elas o governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) e do ex-secretário de segurança do DF, Anderson Torres, que viajou aos Estados Unidos dias antes do quebra-quebra, e ainda por cima, teve encontro com o ex-chefe em Orlando, e ainda o Exército Brasileiro.

O que se esperava era que o vandalismo provocasse um ebulição social, fazendo com que a ordem pública fosse perdida, provocando uma possível intervenção militar. O que parecia um triunfo (como de fato foi de início em que os terroristas tinham total controle da situação), logo em seguida com as forças de seguranças retomando o comando, tornou-se uma grande derrota aos golpistas.

Tiro no pé

As cenas de depredação das sedes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, foram tão absurdas que teve efeito reverso. Segundo pesquisa realizada pela Folha de São Paulo, 93% dos entrevistados condenaram o terrorismo, e a ampla maioria defende as prisões dos golpistas. Portanto, os atos que promoveram quebra-quebra isolaram os bolsonaristas ainda mais; fortaleceu o presidente Lula (PT), e aumentou perante a opinião pública a necessidade de defender a democracia.

Ainda como consequência do terrorismo, pouco mais de 1100 pessoas estão presas; outras ainda serão; mais de uma centena de financiadores já foram identificados, e sentirão o peso da Lei. As instituições reagiram a tentativa de golpe, firmando um grande pacto nacional. Isso ficou claro na reunião de Lula com os ministros do STF e com os 27 governadores. A rigidez na aplicação das penas, será o termômetro e, ao mesmo tempo, a contenção para novos atos terroristas.

O que esperar da Direita, hoje dominada pelo extremismo? Se não se desgarrar desse e promover o debate político, o embate dialético dentro do jogo democrático, a tendência é ser isolada cada vez mais. O “tiro no pé” foi dado. Golpistas, sem a guarita de Bolsonaro, não passarão.

Imagem: reprodução Internet. 

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