Governo Valmir: o último a sair apague a luz

Sem esforço percebe-se que o município de Parauapebas está entregue às moscas. A situação gerencial de modo geral virou calamidade pública. Diversos serviços, inclusive os básicos, estão funcionando de forma precária e alguns já nem funcionam regularmente. Outros foram transferidos ou estão em horário especial. As secretarias sofrem severos cortes em seus custeios, especialmente nas áreas de saúde e educação, os maiores orçamentos municipais.

Todo esse cenário é o triste retrato de uma gestão que em poucas semanas estará encerrando o seu ciclo. Até o dia da eleição, 02 de outubro, o cenário era outro. As peças publicitarias afirmavam que tudo estava sob ordem e que iriam melhorar caso fosse renovado pelos eleitores o período de permanência da atual gestão. Semanas que antecederam à eleição, a máquina municipal trabalhava a todo vapor, em ritmo acelerado. A cidade era um canteiro de obras.

Na verdade, o marketing institucional e as peças de propaganda eleitoral escondiam um cenário penoso, de grave crise financeira e sem – pelo menos – a curto prazo, saídas que pudessem mudar a realidade. Nem mesmo a suplementação orçamentária aprovada pela Câmara de Vereadores no valor de 95 milhões de reais dias antes da eleição, foi suficiente para organizar os compromissos orçamentários, pelo menos os de custeios.

Na saúde, por exemplo, faltam medicamentos, materiais de forma geral e médicos (neste caso o imbróglio entre a prefeitura e os profissionais em relação aos proventos. Finalmente resolveu enfrentar de frente o corporativismo da classe médica e seus super-salários, nem sempre justos). O custeio que aumentou muito com a expansão da rede de atendimento e especialmente em relação à manutenção do Hospital Geral que consome muitos recursos.

Na educação, o calendário letivo foi enxugado. Os alunos com bom desempenho (PM – Progrediu Muito, dentro da formatação pedagógica de ciclos) serão liberados – pelo menos – duas semanas antes do calendário anterior. Merenda escolar em situação calamitosa. Chegou ao ponto de ser servido aos alunos na merenda uma fruta (laranja). Há meses o café-da-manhã já havia sido suspenso. A ordem é cortar drasticamente o custeio. A Semed neste fim de mandato apenas cumpri obrigações gerenciais e só.

Em outras pastas a realidade não é diferente. Tudo parado. Projetos que estavam em curso foram paralisados. Os secretários parecem “cumprir tabela”, se mantendo em suas cadeiras apenas por formalidade. Alguns torcendo para o ano acabar e saírem da incomoda situação de abandono em seus locais de gerenciamento.

É dessa forma que o governo Valmir Mariano vai terminando. O próprio prefeito, após a derrota, sumiu. Não aparece publicamente e sua estada em seu amplo salão que acomoda o seu gabinete, não se faz presente com regularidade. Assim como antes (ainda mais agora) parece que o navio está à deriva, sem o seu comandante. O chefe de gabinete, Wanterlor Bandeira, tornou-se o “coringa”. Acumula funções (Assumiu recentemente o controle da Saaep) e tornou-se um sub-prefeito ou até o próprio em alguns casos.

Para completar o cenário tenebroso, o Ministério Público parece gerenciar o município, tamanho é o descaso dos gestores municipais com a cidade. A Justiça mantém vigilância, faz recomendação e acompanha de perto o Executivo em relação ao recebimento de recursos e suas aplicações. Diversos TACs (Termo de Ajuste de Conduta) já foram assinados para garantir minimamente o funcionamento dos atendimentos dos serviços à população e cumprimento de obrigações trabalhistas.

Valmir Mariano ao perder a eleição, deveria, pelo menos, se manter ativo, à duras penas, manter a máquina funcionando, cumprir cronogramas de entrega de obras. Seria mais honroso com a sua história no município. Derrota eleitoral não significa derrota política. Mas, no caso de Valmir Mariano, sim. O ainda mandatário da política parauapebense morreu politicamente. Sua breve trajetória política terminou da pior forma possível. Sua biografia deverá ser revista, reeditada com o fim do seu mandato.

A situação é caótica. Os Parauapebenses esperam ansiosos pelo término do ano corrente, findando assim atual gestão e o começo da nova, também sem muitas expectativas positivas, pela atuação situação, mas, pelo menos, com novas ações que podem à médio prazo recolocar minimamente o município de volta “aos trilhos”. No atual caos administrativo, o último que sair que apague a luz. Isso se ela não for cortada antes.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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