Não se pode subestimar Bolsonaro

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O cientista político Creomar de Souza pautou a política nos últimos dias. Tudo por conta de sua entrevista a BBC. De forma bem didática, o cientista político tratou do processo eleitoral que se aproxima. Souza chamou atenção para algo importante, mas que parece passar despercebido. Muito se fala – virou até consenso – que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) perderá a eleição. Já é considerado por muitos como um derrotado. Esse menosprezo foi o mesmo que elegeu Bolsonaro, em 2018. E segundo Creomar isso poderá ocorrer novamente.

Vamos aos fatos reais. É sabido que a popularidade de presidente vem caindo a cada nova medição, segundo pesquisas. Atualmente configura em seu nível mais baixo. Todavia, o Bolsonarismo reúne ainda algo em torno de 25% do eleitorado, o que por si só, garante o atual mandatário nacional no segundo turno. Definitivamente, Bolsonaro não está morto eleitoralmente. Deixou de ser favorito, mas ainda têm forças.

Inegavelmente, o atual cenário para Bolsonaro é desfavorável. Faltando um ano para a eleição, ainda poderá ocorrer fatos que o façam melhorar perante o eleitor. Se a economia, por exemplo, crescer. Se os programas sociais, como o auxílio emergencial, tende a promover um crescimento na avaliação positiva do presidente. Apesar de todas as falhas de seu governo na pandemia, promovendo muitas mortes, daqui a um ano, esses efeitos terão menos repercussão.

Souza pontuou ainda: “acredita que o canal paralelo de comunicação construído por Bolsonaro e seus apoiadores por meio de grupos de WhatsApp e Telegram terão novamente papel importante na eleição, como forma de divulgar mensagens favoráveis ao presidente e ‘destruir reputações’ de adversários”.

Na sua visão, ao subestimar Bolsonaro, a oposição tende a se fragmentar, gerando um cenário mais favorável para o presidente estar no segundo turno, com chances de se reeleger. Quanto mais fragmentada for essa oposição, quanto mais candidatos existirem, melhor pro Bolsonaro, porque o Bolsonaro tem uma base concentrada de votantes. Se os demais votos estiverem muito diluídos em outros nomes, ele está no segundo turno.

Ao ser indagado sobre como será a postura do presidente Jair Bolsonaro na eleição, Souza afirma: “Creio que tem dois elementos importantíssimos nessa construção da persona política do Bolsonaro. A gente vai ter um Bolsonaro do WhatsApp, do Telegram, o Bolsonaro do YouTube, que fala para a base. E essa base é muito importante porque é o ponto de partida dele, a base que pode empurrá-lo ao segundo turno. De outro lado, teremos um outro Bolsonaro que vai tentar ser mais palatável pra determinados pedaços da sociedade. E aqui tem um elemento que não se pode esquecer: a sociedade brasileira é em grande parte composta por pessoas conservadoras”.

De toda forma, atualmente enfraquecido, mas não se deve subestimar Jair Bolsonaro. O exemplo de sua vitória em 2018 precisa ser lembrado. Ainda há muitos fatos para ocorrer.

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