O impraticável discurso de transparência na Alepa

No início de abril, o Blog, de forma exclusiva, entrevistou o presidente da Assembleia Legislativa, Daniel Santos. Na ocasião, o mandatário do Poder Legislativo do Pará, deixou claro no decorrer do processo dialético entre este veículo e o referido, que uma das bandeiras de sua gestão à frente do parlamento, seria a questão da transparência. Santos ao ser indagado sobre a temática, reafirmou o seu compromisso em transformar a sua gestão (biênio 2019-2020) a mais transparente possível. Porém, não é o que se observa-se na prática.

No fim da noite de anteontem, 10, e novamente ontem, 11, a tarde, o Blog consultou o Portal da Transparência da Alepa, e que se viu por lá foi total falta de atualização de dados. Dentro do Portal, os quesitos: Receitas, Despesas e Relatório de Gestão Fiscal estão com o seu último dado atualizado referente ao mês de abril. Portanto, há dois meses fechados, não há qualquer nova informação ao público, não constando qualquer dado referente aos meses de maio e junho e quase metade de julho. Quando há informações – diga-se de passagem – elas são muito confusas. Não há, por exemplo, separação de dados, quase todos disponíveis estão juntos, somados, o que dificulta a sua análise. 

A abordagem do tema não é algo novo. Ao fim de abril, a TV Liberal abordou a questão em matéria televisiva e no Portal G1 Pará, sob o título “Há meses desatualizado, portal da Alepa apresenta falha na transparência com gastos de parlamentares”. E, até o momento, nada mudou, indo de encontro com o que prometeu a este blog e a outros veículos o presidente da Casa, Daniel Santos, que prometeu que a transparência seria a marca maior de sua gestão. A desatualização do portal da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) prejudica o cumprimento da Lei da Transparência. Como exemplo, podemos citar: eleitores que procuram saber os gastos do deputado que votou, não conseguem encontrar as informações.

Segundo a matéria do G1 Pará, e de acordo com a Alepa, o valor atual do salário dos deputados é R$25.322,25 mil, além de verba de gabinete no valor de R$106 mil e verba indenizatória de R$35 mil. O dinheiro deve ser utilizado para gastos considerados emergenciais, como transporte, hospedagem, alimentação e consultorias. Mas nada disso consegue-se acompanhar. Como dito, até abril há números, mas sem detalhes, como encontrado em outros sítios. 

A lei da transparência estabelece a liberação, em tempo real, de dados sobre a execução orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso público. A medida deve ser cumprida nas três esferas – união, estados e municípios. Três anos após a sanção da lei, a regulamentação teve reforço. A lei, que entrou em vigor em maio de 2012, no governo Dilma Rousseff, determina que a destinação dos recursos públicos seja divulgada nos portais da transparência, para que qualquer pessoa tenha acesso.

Por ocasião da matéria, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) informou que acompanha o cumprimento da divulgação das informações exigidas pelas leis de responsabilidade fiscal, da transparência e de acesso à informação e que auditorias e fiscalizações estão em andamento. O tribunal disse, mas parece que não acompanha. Não há uma nota ou ação do TCE em relação ao cumprimento por parte da Alepa de algo fundamental e garantido por lei.

A Assembleia Legislativa em um passado não muito distante, já foi manchete em muitos jornais do Brasil, justamente por falta de transparência, que desencadeou, por exemplo, diversas denúncias de desvios e mau uso de dinheiro público. A Alepa deveria, no mínimo, ter como base, independente de quem a preside, a transparência em todos os seus processos internos. É o que a sociedade espera, e algo que foi prometido que seria a marca de quem a preside hoje.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

#veja mais

Helder Barbalho participa de encontro de gestão pública em Oxford, na Inglaterra

Dos dias 25 a 27, o governador eleito do Pará, Helder Barbalho, participou do “Encontro de Altas Autoridades: uma nova agenda para a gestão pública

Eleições 2022: Plano de Governo de Bolsonaro

Os candidatos ao registrarem suas candidaturas, apresentam os seus Planos de Governos, que nada mais são do que os registros das intenções do que fazer

CMP: Rafael Ribeiro solicita a construção de dependências do Ceup próximas à Ufra e Uepa

O vereador Rafael Ribeiro (MDB) apresentou na sessão da última terça-feira (25) a Indicação nº 466/2022, solicitando do governo municipal a construção de novas dependências

Exportações da indústria mineral caem – 4,3%, puxadas pelo minério de ferro

De janeiro a novembro de 2025, as exportações da indústria extrativa mineral tiveram uma queda de -4,3%, acumulando um valor de US$ 72,71 bilhões. O

Correndo atrás do prejuízo. A reeleição de Edmilson e os fatores que a cercam

O prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, ainda no Psol, resolver fazer crê, isso mesmo, que neste último ano de seu mandato, a cidade de Belém

Eleições 2024: em Marabá, a turbidez do cenário político começa a dar lugar à claridade

Anteontem, 08, viralizou nas redes sociais um vídeo em formato publicitário, gravado do governador Helder Barbalho ao lado do deputado estadual Chamonzinho, ambos do MDB,