Os estragos do “furacão” Salles

No fim de abril do ano corrente, o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, deixava o governo, depois de sua situação ter ficado insustentável pela pressão de diversos setores e do próprio governo. No caso dele, o estopim foi a falta de habilidade política para acelerar o processo de compra de vacinas. No período, conforme antecipado pelo Blog do Branco, que afirmou à época que o próximo ministro a deixar o governo, seria Ricardo Salles, que responde – agora não mais – pelo Ministério do Meio Ambiente.

Ontem, 23, Salles pediu diretamente ao presidente Jair Bolsonaro a sua exoneração. Mais um da chamada “ala ideológica” a deixar o governo. O agora ex-ministro alegou questões pessoais para o seu pedido de exoneração. Para o seu lugar foi nomeado Joaquim Álvaro Pereira Leite, que ocupava o cargo de secretário da Amazônia e Serviços Ambientais do ministério.

O pedido de saída de Ricardo Salles pode ter sido uma estratégia jurídica. Agora passa a não ter mais foro especial, portanto, os seus processos que estão no Supremo Tribunal Federal (STF), descem para a primeira instância, o que, de cara, atrasa tudo. Poderá levar um bom tempo até que, quem sabe, Salles possa ser condenado pelos crimes dos quais é acusado. Só para relembrar o leitor do Blog do Branco, o agora ex-ministro, é alvo de inquérito, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR), por supostamente ter atrapalhado investigações sobre a maior apreensão de madeira da história. A suspeita foi apresentada pela Polícia Federal. Ao Supremo, a PF disse haver “fortes indícios” de que Ricardo Salles participa de um esquema de contrabando ilegal.

Retrocesso Ambiental

Tendo como base as análises do jornalista do Grupo Globo, especialista em meio ambiente, André Trigueiro, pode-se listar, por exemplo, algumas medidas que são consideradas retrocesso nas políticas ambientais:

  • Enfraquecimento do Ministério do Meio Ambiente;
  • Revisão de todas 334 Unidades de Conservação;
  • Fim das Reservas Legais;
  • Freio na fiscalização – avanço da extração de madeira e minério em áreas indígenas
  • Ibama anuncia previamente onde fiscais vão reprimir os crimes ambientais;
  • Desmantelamento da Política Climática;
  • Fundo Amazônia pode desaparecer;
  • Menos verde com o novo Código Florestal

Pressão Internacional

O Brasil sempre foi um exemplo ao mundo no que diz respeito às políticas públicas ambientais. Isso até o início do governo Bolsonaro. Desde quando Salles assumiu o MMA, o Brasil tem sido cobrado internacionalmente a adotar medidas de proteção do meio ambiente. A cobrança já partiu de países como Estados Unidos, Alemanha e Noruega.

O novo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite, foi conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB), uma das organizações que representam o setor agropecuário no país. Portanto, pouco ou quase nada mudará na pasta. Pelo visto, além do retrocesso causado pelo “furacão” Ricardo Salles, ainda continuaremos a acompanhar o desmonte na área em que o Brasil já foi referência para o mundo. Pelo visto, a boiada continuará a passar.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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