Submersão necessária

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Ontem, 23, escrevi sobre a desistência do ex-governador João Dória em concorrer ao Palácio do Planalto. Sem dúvida, o fato foi entre todos, o mais relevante do cenário político brasileiro. O ex-mandatário paulista foi vencido internamente dentro do seu próprio partido, o PSDB, que já vinha sabotando a sua pré-candidatura, mesmo após ter vencido as prévias, que lhe deram o direito de ser o candidato tucano à Presidência da República.

Em seis anos, Dória foi de prefeito eleito em primeiro turno da cidade mais rica do país, que conta com o terceiro maior orçamento público brasileiro, para ser quase escorraçado pelo seu partido. O que deu errado? O que fez Dória ter caído desta forma? Por que em pouco tempo, deixou de ser uma grata surpresa na política para reunir um dos maiores índices de rejeição de um político?

O que se associa muito à imagem do ex-governador tucano é a de quem foi um bom gestor, porém um péssimo político. O perfil, por exemplo, de quem não soube esperar o seu próprio tempo; de ter atropelado o processo natural. De fato, em 2016, ao vencer a eleição municipal, Dória, no dia seguinte já pensava em ser presidente da República, fazendo uma breve escala no Palácio dos Bandeirantes, como de fato ocorreu.

Sua vitória em 2018 se deu por conta da sua aliança com o então candidato à Presidência, Jair Bolsonaro. O “BolsoDória” foi uma peça de marketing muito oportunista, que serviu para fazer João chegar ao comando do Executivo paulista, porém, logo em seguida se mostraria um grande problema ao tucano. No cargo de governador, Dória fez uma boa gestão, isso é atestado em pesquisas. Todavia, a questão estava centrada em sua imagem, cada vez mais impopular. Não, por acaso, que feitos como ter sido o primeiro gestor público a ter conseguido trazer vacinas ao Brasil, não surtiu efeito político.

Apesar dos erros, Dória foi traído pelo próprio partido. O PSDB não respeitou a própria escolha interna, feita de forma democrática, além de não ter se empenhado em travar a luta política em defesa da pré-candidatura. Cabe ao ex-governador submerge-se, se retira da arena política. Esse período sabático lhe será necessário. Momento agora é de se fazer uma alta reflexão, buscar respostas e até mudanças. Entender que o egocentrismo o levou ao trinfo político, mas também foi um dos claros motivos de sua queda.

João Dória é um empresário de sucesso. Dirige há tempos o Grupo Doria, que trata sobre comunicação e marketing, sendo composto por seis organizações: Lide — Grupo de Líderes Empresariais; Doria Administração de Bens; Doria Internacional; Doria Editora; Doria Eventos e Doria Marketing & Imagem. Dentre essas, destaca-se a Lide — Grupo de Líderes Empresariais, associação da qual Doria Junior é fundador e presidente licenciado do Comitê Executivo.

Na esfera política, não caiu de paraquedas na Prefeitura de São Paulo. Apesar do espaçamento temporal, em 1983, por indicação de Franco Montoro, então governador de São Paulo, Dória se tornou Secretário Municipal de Turismo e Presidente da Paulistur, na gestão de Mário Covas como prefeito da cidade de São Paulo (1983–1986). Entre 1986 e 1988, durante o governo do presidente José Sarney, tornou-se presidente da Embratur e do Conselho Nacional de Turismo.

Fico claro que João Dória não respeitou o tempo da política. Atropelou processos e isso custa caro a o quem faz. Agora é se retirar, descansar a desgastada imagem e recomeçar. Quando não somos bem quistos nem em “casa”, algo não está certo.

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