Uma opção a menos

Ontem, 13, o tabuleiro da política paraense novamente foi alterado. Tudo porque a secretária de Cultura do Pará, Ursula Vidal, até então, pré-candidata à Prefeitura de Belém, não irá mais concorrer. O motivo parece ter sido algo até trivial: a perda do prazo de desincompatibilização do cargo que ocupa. Na prática ocorreu uma confusão (proposital ou não). Vidal estava certa que o prazo seria estendido, mas a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) não foi alterada (no que diz repeito as alterações de prazo), como se esperava.

A PEC 18/2020 trata do processo eleitoral de 2020. Segundo o seu relator, senador Weverton (PDT-MA): “É importante ficar claro que as datas mudaram, mas todos os prazos foram mantidos”. Ou seja, Vidal achou que a data limite para deixar o cargo seria alterado, o que não ocorreu. Portanto, perdeu a data limite para se desincompatibilizar do cargo que ocupa.

Recentemente Vidal se filiou ao Podemos, partido dirigido pelo deputado estadual Igor Normando, com claro objetivo de concorrer ao Palácio Antônio Lemos (o que a mesma já havia feito, em 2016). Recentemente o Blog tratou da questão em que a atual secretária de Cultura do Pará estava muito bem cotada junto ao governador Helder Barbalho para a PMB. Apesar de sofrer processo de desidratação eleitoral, ela ainda reúne grande musculatura e, sem dúvida, era um forte nome.

Pelos corredores do Palácio do Governo, sabia-se que Úrsula Vidal não era o nome preferido do governador. Mas – e como dito no artigo “A escolhida de Helder” – era a opção mais viável dentre as que endogenamente o mandatário estadual tinha. Outros nomes foram com o passar do tempo perdendo força (como no caso do vice-governador Lúcio Vale, acusado de desvio de recursos públicos).

Segundo nota do jornalista Mauro Bonna, o secretário de Administração Penitenciária do Pará, Jarbas Vasconcelos (outro nome que se apostava dentro do leque de opções de Barbalho), também fica no cargo, portanto, não irá concorrer ao Palácio Antônio Lemos como “opção interna” de Helder.

Vidal mesmo não sendo candidata, terá papel importante na eleição. Será um dos principais cabos eleitorais e cumprirá a missão de “puxar” votos no candidato que o governador determinar.

O que chama atenção no caso é justificativa de não concorrer. Agente política experiente, rodeada de pessoas que lidam há anos com processos eleitorais, assessorada por um grupo jurídico, Vidal simplesmente perdeu o prazo por achar que ele (sem garantias alguma) pudesse ser postergado. Erro (se ocorreu mesmo) primário. Ou foi proposital? Há método em não concorrer? E por que dessa forma?

Como dizia o finado ex-deputado federal Gerson Peres (morreu recentemente por Covid-19), que usava como lema uma frase que entrou para o folclore do Estado: “Em política, só não vi boi voar”.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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