A Escola vazia

1
752

Talvez não exista nada mais sem sentido, ou sem graça, do que uma escola vazia. E não digo isso pela ausência de equipamentos, estrutura. Me refiro a pessoas, em especial os alunos.

Um professor ao circular em um ambiente escolar sem alunos, é como andar em um cemitério. O silêncio reina. Mas isso não combina com uma escola. Essa reflexão ocorreu ao andar em uma das escola que trabalho, percorrer seus corredores e blocos, e sentir um vazio. Tive a oportunidade de escutar o ruido do solado de meu sapato ao tocar o cimento do chão, e outros ruídos que seriam inaudíveis em uma escola em dia normal, ou seja, com alunos. Cheguei a escutar, sem exageros, a batida de meu coração, tamanho era o silêncio.

Vivi e vivo essa experiência a cada início de ano letivo, por ocasião da jornada pedagógica. Pode parecer demagogia, mas não é. O barulho, os movimentos, a dinâmica provocados pelos alunos, faz falta. Pelo menos aos que escolheram verdadeiramente a docência como ofício. Sem alunos a escola fica sem graça, sem sentido. Não há ambiente escolar sem alunos. Comparando anatomicamente, a escola sem alunos, seria um corpo sem o seu principal órgão: o coração.

A escola em movimento é vida. E isso não se resume apenas aos dias letivos, mas a diversas atividades que podem ser executadas, geralmente aos fins de semana. Projetos como “Escola de Portas Abertas”, entre outros, mantém a escola funcionando até nos fins de semana. Em uma visão educacional moderna, integracionista, a escola foi feita também para isso: promover a socialização entre pessoas da comunidade que aquele ambiente escolar está territorialmente inserido.

A escola sem alunos, nada mais é do que uma estrutura física sem vida. Sem eles, ela não tem sentido de existir. Não passa de um emaranhado de cimento, ferro, pedra, areia e madeira.

Nenhuma escola pode ser ou ficar vazia. Ela é vida, movimento e o reúne dentro de si a construção de futuro de uma nação. Sejam bem-vindos, alunos. A escola é de vocês e precisa de vocês para ter sentido de existir.

1 COMENTÁRIO

  1. Nestes últimos anos qe estou vivenciando á prática e administração pedagógica observo a escola sendo um “palco” de vários debates.Inclusive a “projeção” da Escola como Ambiente-social transformador e tbm lugar de manifestações pró ou contra determinados políticos pra se promover em benefício próprio.Mas ñ vamos aqui debruçar sobre a pauta política,o “bloguer” acertou em cheio ao citar a escola como ” a construção de um futuro da nação”.
    Partindo do princípio que a Escola é um ambiente de trabalho,e este tem profissionais capacitados pra exercer o “magistério ” por excelência da atividade pedagógica,me sinto no papel fundamental,sendo assim questiono pq a nossa categoria de professores é sempre um “objeto” de transformação da sociedade?
    Escola é “vida”,já parafraseando o nobre colega:vou fazer uma análise sobre essa pauta.
    Penso na escola como “território”,usando a terminologia da ciência geográfica,Ela assumi papéis fundamentais dentro de um bairro.Hoje nós temos + de 80 bairros em nosso município,e fica claro a referência de cada escola em determinados bairros,vou citar um exemplo na prática docente,trabalhei + de 10 anos na Escola Chico Mendes e Euclydes Figueiredo,lá aprendi a singularidade em que nós enquanto professores de geografia ou de outras disciplinas,possamos ser uma “referência” no ensino pra Democracia e por que ñ uma representação cultural da ética e postura.
    A Escola é sim um Espaco “sem fronteiras” pra o aprimoramento e enriquecimento cultural das pessoas.
    Ao fechar uma Escola,se fechar tbm um lugar pra diversidade cultural,e este fenômeno já está em curso ñ nosso município,principalmente n turno da noite nas redes municipais e Estaduias.

Deixe uma resposta