Ciro Gomes ficou pelo caminho

O ex-ministro Ciro Gomes parece ter ficado pelo caminho na disputa presidencial. Todas as suas estratégias foram sequenciamente minguando. Iniciou a sua caminhada como presidenciável com a esperança de ser a escolha de Lula, caso o ex-presidente não pudesse concorrer. Entrou em colisão com a direção do PT quando percebeu a esperada resistência do partido em apoiá-lo.

Não conseguiu adentrar ao campo da esquerda. Mudou o rumo, e timidamente o discurso. Foi ao centro; flertou com a Direita em busca de apoio e buscou coligações para a sustentação de sua exposição, com considerável tempo de TV. A sua alternativa era o chamado “centrão”, que poderia proporcionar a Ciro uma sustentação eleitoral, o colocando com reais condições de ir ao segundo turno.

O “centrão” resolveu apoiar Geraldo Alckmin. Ciro e seu PDT continuam isolados, a exemplo de Bolsonaro e Marina Silva. O ex-governador cearense ainda tenta trazer para o seu lado o PSB, mas sem ter a garantia de acordo com a referida legenda. Em último caso, de forma quase hipotética, unificar o campo esquerdista em torno de uma única candidatura, neste caso sendo a sua, com o PCdoB ou PSB, indicando o vice.

Com a recusa do centro-direita ao seu nome, Ciro voltou-se para a esquerda. Retornou com o seu discurso mais social e contra o mercado; narrativa que havia retirado de sua apresentação ao tentar ganhar votos dos liberais.

Algumas falas, discursos de Ciro voltaram a sabotá-lo. Geraram polêmicas sem nscessidade. A história se repete, assim como em 1998 e 2002; o ex-governador cearense inicia bem e vai se perdendo no decorrer do processo eleitoral. Atualmente conta com 33 segundos de exposição no horário eleitoral. Algo insuficiente. A sua busca pelo eleitor da esquerda, deverá ser suplantado pela concorrência que vira do nome lançado por Lula, dentro de algumas semanas.

Ciro, de longe é o mais bem preparado do ponto de vista técnico e de experiência em gestão pública. Goste ou não, a sua biografia é invejavel. Passou pelos mais importantes cargos da República. Reconhecidamente é um ótimo gestor. Mas, como sempre, se perde por seu temperamento. Gomes transitou conforme a sua conveniência pelos extremos dentro do expecto ideológico e político em busca de apoios. Mas caminha, assim como Jair Bolsonaro e Marina Silva, para o isolamento político-eleitoral, com a diferença que o candidato do PSL lidera as pesquisas (sem o nome de Lula) e possui o maior volume de votos cristalizados.

Pelo visto, mais uma vez, Ciro Gomes vai vendo escapar aos poucos o seu sonho de chegar ao posto político máximo do país. Política também se faz com boca fechada.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

#veja mais

Bolsonaro pede socorro

A cena é conhecida. Numa reunião com taxistas, em julho de 1992, Fernando Collor pede à população que saia às ruas no domingo seguinte usando

Canaã dos Carajás é premiada na categoria Ouro do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização

Reconhecimento realizado pelo MEC (Ministério da Educação), reconheceu os resultados efetivos nos índices de alfabetização e qualidade da educação básica no município Canaã dos Carajás

Popularidade de Lula volta a despencar, diz pesquisa

Enquanto Lula estava em seu segundo dia cumprindo agenda no Pará, ontem, 14, levantamento feito pelo Datafolha apontou que a avaliação do petista despencou 11

Eleições 2024: pesquisa revela que 40% dos eleitores ainda podem mudar o voto e 63% não estão interessados na eleição

A poucos dias das eleições, a pesquisa mais recente da Alfa Inteligência revela um cenário de volatilidade e desafios para candidatos a prefeito em todo

Em Belém, encontro de líderes globais debate ações contra fome, pobreza e mudanças climáticas

Nesta segunda-feira (17), Belém sediará a terceira edição da Cúpula Anual do SAI20 (SAI20 Summit), que reúne líderes globais para debater ações de enfrentamento à

A perigosa estratégia do ataque direto

O jornal Diário do Pará vem de forma sistemática atacando o candidato do DEM ao governo do Pará, Márcio Miranda. Os ataques começaram desde quando