Duro golpe no Bolsonarismo paraense

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A Polícia Federal deflagrou na manhã de ontem (14) a Operação “Mapinguari”, com objetivo aprofundar a investigação sobre o vazamento de informações de uma operação da própria instituição. Dentre diversos nomes que constavam no lista de suspeitos, estava o do delegado federal Eguchi, que foi candidato à prefeitura de Belém nas últimas eleições, chegando em segundo lugar no pleito em 2020.

Sobre o fato sempre pairou denúncias de que Eguchi tinha cometido crime ao vazar informações da “Operação Migrador”, trabalho de investigação feito pela Delegacia de Polícia Federal de Marabá/PA, que apurava a atuação de organização criminosa de exploração ilegal de minério de manganês no ano de 2018. A violação de sigilo funcional é um crime previsto no artigo 325 do Código Penal Brasileiro e se caracteriza como um crime subsidiário praticado por funcionário público, que revela fato que deveria permanecer em sigilo, em razão do cargo que ocupa.

Horas depois de ter recebido em sua casa a “visita” da Polícia Federal, onde foi encontrado muito dinheiro de várias moedas: Real, Dólar e Euro, a Justiça atendeu uma manifestação do Ministério Público Federal (MPF) e afastou o acusado de suas funções, haja vista, a gravidade dos fatos relatados pela PF, que “indicam que o investigado tem se valido de sua função para alcançar fins ilícitos e ilegítimos, havendo ele se apropriado, de maneira pouco republicana, do aparelho estatal para privilegiar interesses próprios”. Para o MPF, o afastamento do delegado era necessário até para evitar que ele tente interferir nas investigações.

Disputa política

Everaldo Eguchi (Patriota) ficou em segundo lugar com 48,25% (358.772 votos) na disputa de segundo turno para a Prefeitura de Belém, em 2020. Inegavelmente, teve um ótimo desempenho, alcançado, sem dúvida, por ter sido o “candidato” do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) naquela eleição. O grande volume de votos e a escassez de opções de adversários contra o atual governador Helder Barbalho (MDB) que disputará a reeleição, em 2022, coloca o delegado com grande possibilidade de ser, quem sabe, o nome que iria aglutinar a oposição para a disputa.

Naturalmente, Eguchi poderá ter maciçamente os votos bolsonaristas na próxima eleição, caso venha disputar o governo. O que se tenta costurar é a ampliação dessas intenções de votos, com a possibilidade de apoio do PSDB. O delegado da PF se reuniu recentemente com o ex-governador Simão Jatene, e, com certeza, o conteúdo não foi culinária.

Porém, com o fato ocorrido ontem (14), a situação política de Everaldo pode ser complicar, caso sejam comprovadas as inúmeras acusações: corrupções ativa e passiva, associação criminosa, desvio funcional entre outras; derrubando assim a sua “bandeira” de combate à corrupção, principal lema de sua atuação política.

Se Jatene não conseguir reverter na Justiça a sua inelegibilidade decretada pela Assembleia Legislativa (Alepa), por ter tido as suas contas de 2018 reprovadas, e se Eguchi não se tornar uma possibilidade eleitoralmente viável, a reeleição do atual governador Helder Barbalho vai ficando cada vez mais fácil.

O que se pode afirmar é que a operação “Mapinguari”, poderá ter grande influência da montagem das peças do tabuleiro político-eleitoral do próximo ano. De partida, o fato já é um duro golpe no bolsonarismo  paraense. A ver.

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