Hospital Geral de Parauapebas: da ostentação à realidade

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Na última quinta-feira (30) em Belém, ocorreu importante encontro que influenciará a vida de milhares de pessoas que vivem na região de Carajás. Na pauta o processo de regionalização do Hospital Geral de Parauapebas (HGP). Uma verdadeira comitiva de autoridades municipais de Parauapebas, Curionópolis, Eldorado dos Carajás e Canaã dos Carajás esteve reunida na sede da Secretaria de Estadual de Saúde (Sespa) para tratar o assunto com o titular da pasta, Vitor Manuel.

A comitiva entregou aos gestores da Sespa, que são representantes do governo, uma carta de intenções para a criação de um consórcio público de saúde. A proposta é clara: regionalizar o HGP. O hospital teria os seus custos divididos entre o governo do Estado (que arcaria com 51% do custeio, conforme o desejo dos gestores da “capital do minério”) e os 49% restantes seriam rateados entre os quatro municípios citados, com maior aporte de Parauapebas para que a “capital de minério” seja a “porta de entrada” do referido hospital.

Para que se possa entender melhor o atual cenário se faz necessário uma retrospectiva das etapas que levaram a entrega e funcionamento do HGP. Pensado em 2006 e com obras iniciadas em 2007, o hospital era um anseio dos milhares de cidadãos que moram aqui e que foi se arrastando por anos. Erros primários foram cometidos em seu projeto inicial e que fizeram o custo da obra multiplicar por nove. A previsão inicial do custo girava em torno de nove milhões. Dez anos depois, em 2016 (ano que foi inaugurado de forma incompleta) com dezenas de aditivos, o custo chegou aos impressionantes 100 milhões de reais, entre estrutura física e equipamentos.

Com todos esses problemas a gigantesca obra foi entregue no ano passado pela gestão anterior, no limite do tempo estipulado pela justiça eleitoral. O empreendimento seria a “bala de prata” (termo que usei à época) para à reeleição do então prefeito Valmir Mariano. Vale registrar o equipamento público foi entregue com apenas 30% da capacidade de operação e que, segundo a ex-gestão, aos poucos iria entrando em operação até o seu atendimento completo.

Darci Lermen sabia antes mesmo de assumir que a prefeitura não teria capacidade de manter o HGP funcionando sem parcerias ou divisão de custeio. Imaginaram um “elefante”, concebido em época de pujança econômica, em que nunca se tinha ouvido por essas bandas, a palavra crise. Mas, mesmo para uma prefeitura com orçamento bilionário, como a de Parauapebas, é quase impossível mantê-lo. Mais um exemplo de ostentação que sempre pairou por essas bandas e que os agentes públicos incorporaram tais posturas e atitudes.

Segundo fontes consultadas da área, o custo mensal de manutenção do Hospital Geral de Parauapebas chega a sete milhões de reais. Ao lado, o Hospital Municipal, o custeio gira em torno de três milhões de reais a cada 30 dias, o que torna inviável aos cofres municipais manter 10 milhões de reais/mês nas duas principais unidades de saúde pública da “capital do minério”.

Além do aspecto de manutenção do equipamento, neste caso o HGP, via regionalização, há outro: a questão do controle político. Imaginar que o governo do Estado ao arcar com 51% dos custos não usará isso de forma político-eleitoral é pura ingenuidade. As eleições ao Palácio dos Despachos se aproximam e Jatene sabe, melhor que ninguém, que os Barbalho controlam politicamente a região de Carajás. Isso se confirma facilmente quando se analisa o resultado da última eleição estadual, quando os tucanos perderam por grande diferença no quantitativo de votos gerais para o filho de Jáder.

Não há outra saída de manutenção do estrondoso equipamento de saúde em Parauapebas do que a sua regionalização, gestão compartilhada. Todos ganham com isso e para Parauapebas é vital. Sem a divisão de uso, a “capital do minério” não teria com recursos próprios como manter um custeio tão alto, e gerado em muitos casos por despesas que ultrapassam os limites territoriais parauapebenses. A questão é dividir para manter.

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