“Muito para fora, pouco para dentro”. Avaliação do governo Lula

Uma sequência de pesquisas sobre avaliação do governo Lula (PT) acenderam a luz amarela no Palácio do Planalto. Os números apresentados apontam para uma queda nas aprovações pessoal do presidente e de sua gestão. Após um primeiro ano de ajustes, Lula esperava um melhor nível de avaliação, o que não vem ocorrendo.

Em seu primeiro ano de governo, o presidente ficou 62 dias fora do país em 2023 e viajou mais que seu antecessor. Bolsonaro passou 38 dias no exterior em 2019. As quinze viagens do petista somaram um gasto de R$ 65 milhões, segundo dados do Portal da Transparência. Por outro lado, a narrativa palaciana é que o gasto não chega nem perto do retorno à balança comercial e à economia em relação aos acordos comerciais fechados nessas viagens.

Em parte, se fez necessário aumentar a presença do presidente lá fora, justamente pelas circunstâncias de troca de governo e a imagem do Brasil no cenário internacional. Todavia, hoje, se percebe que houve um excesso de presença externa em detrimento às questões domésticas, em especial na conturbada relação com o Congresso Nacional.

Dois dados da pesquisa realizada pela Atlas/Intel, tiram o sono dos articuladores políticos do presidente. A queda em sua avaliação positiva, que atingiu um patamar preocupante: 38%. Na medição anterior, feita em janeiro, o índice era de 42%. Inversamente proporcional a esse cenário foi o aumento da avaliação negativa, que atingiu 41%. Antes era 39%.

O segundo dado corresponde à avaliação das Relações Internacionais de sua gestão. Neste segmento, a pesquisa apontou uma queda de 46% para 41%. O fato está muito ligado às falas de Lula, em especial à questão do conflito na Faixa de Gaza entre o Hamas e Israel. Além da questão internacional, foram avaliadas na pesquisa as seguintes áreas: Meio Ambiente, Justiça, Responsabilidade Fiscal, Direitos Humanos e Segurança Pública. Em todas houve piora nos números avaliativos do governo.

De posse desses números e diante de um cenário preocupante, o presidente Lula convocou uma reunião ministerial que ocorreu ontem nas dependências do Palácio do Planalto. Na pauta a queda da avaliação de seu governo. Cobrou mais empenho e agilidade de seus ministros. Quer mais entrega de obras e mais celeridade na execução de projetos. O ponto sensível tratado pelo presidente é, na verdade, uma falha histórica em governos petistas: comunicação. Cobrou o melhoramento na forma de se comunicar com a sociedade, que não consegue ter a percepção das ações de governo.

O presidente reconheceu que a queda em sua popularidade está centrada na grande expectativa criada em seu retorno ao Palácio do Planalto e o que foi entregue nesse primeiro ano de governo. Em baixa nas pesquisas, a máquina federal poderá provocar revés eleitorais no campo progressista nas eleições municipais. A conferir.

Imagem: reprodução internet. 

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

#veja mais

CMP: Graciele Brito propõe criação de creches noturnas e revitalização de praça nas Casas Populares I

Em duas indicações protocoladas no dia 30 de maio de 2025 na Câmara Municipal de Parauapebas, a vereadora Graciele Coelho Jacome de Brito Moreira (União)

Descarbonização no setor mineral: quem paga a conta?

Que a descarbonização da economia é um caminho sem volta para fazer frente às mudanças climáticas, é um consenso. A grande questão é saber quem

Minério de ferro oscila com pressão de Covid e problemas imobiliários na China

O minério de ferro fechou em queda na bolsa de Dalian nesta quinta-feira (1), anulando ganhos registrados mais cedo, ao ser pressionado por preocupações com

Portugal: Luís Montenegro é nomeado premiê, mesmo sem maioria no parlamento

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, nomeou Luís Montenegro como primeiro-ministro após a vitória eleitoral da centro-direita e sem maioria no parlamento. Montenegro

Marco de dois anos de guerra tem promessa de vitória e ataques entre Ucrânia e Rússia

No último dia 24, completou-se dois anos na última Em discurso, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, relembrou os mortos e agradeceu a resiliência da população,

Realidades Assimétricas

Bastou o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PSOL) e dias depois o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB) anunciarem que utilizariam sobras do Fundo Nacional