A prole Bolsonaro mostra força e intimida. Carlos, o rei

Em setembro de 2018, ao analisar os desdobramentos da disputa eleitoral, já havia sinalizado – através de texto – que o clã Bolsonaro iria imprimir um ritmo próprio ao governo do pai, caso fosse eleito. Passada a eleição, e com a vitória confirmada nas urnas, a família Bolsonaro chegava ao poder central. Flávio, o mais velho, antes deputado estadual no Rio de Janeiro, tornou-se Senador da República. Eduardo, o segundo mais velho, se reelegeu como deputado federal mais votado do país.

Carlos, o terceiro, é vereador na cidade do Rio de Janeiro. Mas entre os irmãos citados, é ele que desenvolve hoje mais influência nas redes sociais, tornando-se o fomentador de polêmicas, além de ser o mais próximo do pai. O referido roubou a cena na posse, ao sentar no banco de trás do Rolls-Royce aberto, o carro oficial presidencial. Sua conta no Twitter faz alegria dos jornalistas, pois diariamente há uma postagem que garante uma boa pauta para quem cobre a política de Brasília.

Venho avisando que a atuação dos filhos do presidente – na forma como se apresentou e ainda é conduzida – não é salutar ao governo. Eduardo e Carlos se posicionam com forte viés ideológico (o primeiro sob a plataforma da política internacional, o segundo em assuntos gerais). Em dezembro de 2018, escrevi analisando acontecimentos políticos, em especial os que se referiam à família do presidente, sobretudo os que envolviam a sua prole, concretizado sob o título: “Governo Bolsonaro: a fábula do Jabuti na árvore explica a sua prole, que poderá ser a sua torre de Babel” (Leia Aqui)

É inegável o desconforto que suas narrativas causam aos integrantes do governo, que não possuem filtros ou limites. O presidente parece não se importar com isso, e permite que sua prole verbalize polêmicas desnecessárias. Sobre o tema, ainda tem mais esse texto: “Quem segura a prole Bolsonaro?” (Leia Aqui)

A mais nova polêmica protagonizada por Carlos foi em relação ao ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência. O vereador carioca desmentiu publicamente, via Twitter, a fala do ministro que afirmou ter tratado assuntos com o presidente, o que, segundo Carlos não ocorreu. Mais tarde, Bolsonaro validou a narrativa do filho, que ainda, divulgou áudio do presidente em direção ao referido ministro. O filho do presidente vazar áudio do pai em conversa com o ministro de Estado?

O fato tomou as manchetes dos principais veículos de imprensa do país. A atitude de Carlos foi criticada por todos, até por parlamentares do PSL, partido do presidente. Precisa expor publicamente o fato? Criar uma crise desnecessária ao governo? Qual objetivo? Mostrar força enquadrando ministros?

Bebianno deverá ser exonerado nas próximas horas. Carlos mostra a sua força, tornando-se o rei. Quem irá encarar o clã Bolsonaro? E o mais arredio de todos, o “Rei” Carlos?

Ou Carlos Bolsonaro sai do Palácio do Planalto ou ele destrói o governo.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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