Parauapebas, trinta anos: o desafio do futuro incerto

Na data corrente (10) há trinta anos surgia no mapa brasileiro mais um município, desmembrado – assim como outros próximos – de Marabá. Dono da maior reserva mineral já mapeada em todo o planeta. A riqueza mineral da região, especificamente na então Serra Norte, seria o motor desenvolvimentista que iria se fazer presente e fomentaria uma mudança significativa e irreversível ao território regional.

São trinta anos de um intenso processo de ocupação, conflitos, descobertas, encontros, desencontros, chegadas e partidas. Parauapebas é, sem dúvida, um porto sem cais, sem píer, sem navios ou barcos… Um pujante ponto de encontro. Encontro esse de sonhos, desejos, perspectivas, frustações, luta, conquistas e perdas. Foi dessa forma, com centenas de personagens importantes que logo deixaria de ser uma vila, um ponto de apoio para a instalação do maior projeto mineral do planeta, para torna-se mais uma municipalidade brasileira, com a perspectiva de ser um dos maiores motores da economia nacional (o que se confirmou anos depois, e se manteve por um bom tempo – enquanto a cotação do minério de ferro esteve nas alturas no mercado internacional, especialmente o chinês).

Parauapebas já iniciou um novo ciclo, após três décadas de intensa dependência mineral. O município criou bases econômicas (ainda insuficientes) para além da cava de extração mineral. Um nível mediano de comércio e serviços existem (ligado claramente a mineração, que direta e indiretamente os sustentam), mas que já produzem desdobramentos próprios dentro da cadeia produtiva local.

Ao Poder Público Municipal o desafio é gerir um território complexo, com crescentes demandas e com um orçamento cada vez menor no tocante a investimento. Por isso, os agentes políticos da chamada “capital do minério” precisam ser qualificados em gestão pública, ou, pelo menos, se cercarem de profissionais que tenham visão, estratégia e ação.

Parauapebas sabe que o seu futuro é incerto quando se fala em desenvolvimento econômico, pois no presente continua-se a não criar bases para mudanças na matriz econômica, dependendo quase exclusivamente da mineração e seu modelo econômico de enclave, o que reafirma – na prática, infelizmente – a teoria da “maldição dos recursos naturais”.

Três décadas de extração da maior riqueza da região que não voltará, e que caminha (pelo atual modelo de extração, cada vez mais voltado ao aumento de produção) para o aceleramento de sua exaustão, no caso de Parauapebas, a Serra Norte. E quais as alternativas? Plano B?

Alternativas há, planos existem, modelos desenvolvimentistas estão prontos para serem adaptados, recriados. A questão é vencer a força motriz que a lógica da dependência de um único recurso impõe a região. Parabéns Parauapebas por três décadas de um memorável recente processo histórico. Que o seu futuro seja cada vez menos incerto e mais promissor.

Imagem: Pebinha de Açucar.  

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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