Quem segura a prole Bolsonaro?

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No início de dezembro de 2018, portanto, antes mesmo do governo Bolsonaro tomar posse, escrevi um texto analisando os últimos acontecimentos políticos, em especial os que se referiam à família do presidente, sobretudo os que envolviam a sua prole, concretizado sob o título: “Governo Bolsonaro: a fábula do Jabuti na árvore explica a sua prole, que poderá ser a sua torre de Babel” (Leia Aqui)

Na ocasião e usando como base uma fábula conhecida, a do “Jabuti na árvore”, fiz analogia ao mundo real, protagonizado – naquele momento – pelo clã Bolsonaro. A questão à época era a divulgação pelo jornal O Estado de São Paulo de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF, que apontou uma movimentação considerada atípica, no valor de R$ 1,2 milhão, em uma conta no nome de um ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente eleito Jair Bolsonaro, agravado pela emissão de um cheque de R$ 24 mil destinado à primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Pois bem, depois dessas descobertas, o Ministério Público do Rio de Janeiro intimou Fabrício Queiroz por duas vezes para conceder esclarecimentos, o que não aconteceu. A justificativa das ausências foi questões de saúde, que tornaram-se altamente controvérsias com divulgação de vídeos e entrevistas de Queiroz.

O filho do presidente e senador diplomado, Flávio Bolsonaro, que sempre se colocou publicamente como a parte mais interessada na resolução dos fatos que ocorreram em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (e que teve a presença solicitada pelo MP e não compareceu – lembrando que ele não é investigado sobre o caso, estaria, portanto na condição de testemunha), agora, de forma inesperada, obteve uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender as investigações sobre as movimentações envolvendo seu ex-funcionário. A decisão foi dada pelo ministro Luiz Fux, que mandou suspender provisoriamente o procedimento investigatório instaurado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

A questão política do caso

Ao pedir a suspensão das investigações sobre o seu ex-funcionário, Flávio parece ter assinado uma confissão de culpa no caso. E pior, com o pedido ao STF, o senador pode ter levado a crise do Rio de Janeiro para Brasília, especificamente à Praça dos Três Poderes, ao lado do terceiro andar do Palácio do Planalto, onde fica o seu pai. Com o caso na Suprema Corte, a depender da decisão do relator do caso, o ministro Marco Aurélio, o presidente poderá ser investigado, haja vista, que o caso envolve a sua esposa, Michele Bolsonaro. Inevitavelmente a Procuradora Geral, Raquel Dodge deverá entrar no caso.

Flávio agora federalizou a questão prejudicando a imagem do governo de seu pai. A decisão é claramente uma medida de protelar o processo, estancar as investigações. Logo ele que se dizia o mais interessado em resolver o caso? Então por que o pedido de liminar? Qual receio que as investigações avancem?

O fato em si já desconstrói a imagem da família Bolsonaro, fazendo cair por terra a imagem de baluartes da moralidade que tentavam ostentar. E os seguidores e apoiadores, como explicar? O que dizer a quem sempre combateu em discurso o foro privilegiado, e agora faz uso do mesmo, e até de forma preventiva? Ou seja, a narrativa, o discurso não bate com a prática.

Conforme analisado em outros textos, para Jair Bolsonaro, a sua prole poderá ser a sua torre de Babel. Quem os controlará?

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