A vingança de Zequinha Marinho. E agora Jatene?

Ontem (21) os bastidores políticos do Pará estavam agitados. Tudo porque o vice-governador Zequinha Marinho (PSC) havia se reunido com a executiva estadual do partido para anunciar – independentemente da decisão de Simão Jatene – que não irá renunciar ao cargo. A decisão é em caráter irrevogável e já foi encaminhada para a ciência da executiva nacional do Partido Social Cristão.

Com a decisão de Marinho, Jatene não tem o que fazer a não ser continuar no cargo, abdicando da possibilidade de concorrer a algum cargo na campanha eleitoral. Sendo assim, o governador permanece e encerra a sua estada no Palácio dos Despachos no último dia do ano corrente. No dia seguinte perderá o foro privilegiado e todos os seus processos descerão de instância, ficando sob a responsabilidade da primeira jurisdição hierárquica da Justiça.

Conforme o blog adiantou desde o ano passado, Jatene não era a “peça” principal do tabuleiro eleitoral. O seu vice que era. Quem daria a palavra final seria Marinho, e a partir da decisão dele, Jatene montaria a sua estratégia. O governador fez o contrário. Montou a estratégia e depois apresentou a Zequinha o que iria acontecer, imaginando que o vice iria aceitar as condições (sem que ele pudesse fazer parte ou usufruir dela).

Jatene bem ao seu estilo de isolar forças políticas próximas a ele, mesmo as que sejam de sua base ou do seu próprio partido, isolou o vice. Resumiu a vice-governadoria a um espaço físico, só para constar oficialmente ao organograma institucional do governo. No ano passado, Zequinha concedeu entrevista ao jornal Diário do Pará, oportunidade que deixou claro o seu descontentamento com a forma como foi tratado no governo. Externou a péssima relação com o governador, e que o seu projeto político, talvez, não fosse conjugado com o de Jatene. Na ocasião, Marinho já dava sinais que não facilitaria ou aceitaria os projetos pensados por Simão e seu grupo político.

O governador vem há meses tentando convencer Zequinha de seguir a sua estratégia, ou seja, renunciar ao cargo de vice. Primeiro o líder tucano ofereceu uma cadeira em algum tribunal de contas. Mais recentemente uma vaga de senador na coligação encabeçada pelo PSDB, mas sem a garantia que Marinho seria o candidato do governo, portanto, teria o espaço (candidatura), mas sem o apoio da máquina estadual.

A decisão de Marinho de ficar no cargo é uma clara retaliação ao governador. Com isso, o vice derruba todas as estratégias montadas por Simão e impacta diretamente na disputa eleitoral. Jatene contava com a saída de Zequinha, para que assim, ao deixar também o cargo, a linha sucessória permitiria que Márcio Miranda assumisse o governo por oito meses, disputando à eleição com o controle da máquina.

Jatene pretendia disputar uma vaga na Alepa (com acordo de ser o presidente), e com o volume de votos que poderia atingir, “puxaria” mais cadeiras, com a possibilidade de sua filha, Izabela, tornar-se deputada estadual. Toda essa engenharia político-eleitoral dependeria da decisão de Zequinha Marinho.

A decisão do vice-governador em ficar no cargo foi noticiada de forma retumbante pelo Diário do Pará, jornal da família Barbalho. Não há dúvida que o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, é o maior beneficiado. A decisão evita que Miranda assuma o governo e se utilize do cargo máximo da política paraense para potencializar a sua candidatura, algo que certamente ocorreria e que faria o presidente da Alepa atingir outros patamares nas pesquisas.

Marinho ao decidir não sair, também abre mão de disputar algum cargo e torna-se inimigo declarado de Jatene e de seus aliados. Uma vitória de Miranda, deixaria Zequinha sem espaço político. Mas se tratando de política, nenhuma decisão ou apoio é tomada sem garantias. Com o cenário político-eleitoral favorável a Helder, o atual vice-governador pode ter tomado a decisão com a garantia que se o ministro vencer a eleição, o presidente do PSC poderá compor o primeiro escalão do governo do MDB. A permanência de Marinho fará o PSC desembarcar do governo e deverá apoiar Helder Barbalho.

Simão Jatene sofreu uma grande derrota política. Qual saída o governador encontrará para contemplar os seus interesses políticos pessoais e familiares? Para ele é isso que importa. Márcio Miranda que procure estratégias de crescimento político sem ser o governador. Conforme afirmo desde o ano passado: Zequinha Marinho é quem daria a palavra final. E a deu da pior forma possível para a dinastia tucana e aliados.     

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

#veja mais

Rafael Ribeiro segue firme em sua pré-candidatura a prefeito de Parauapebas

O menino de infância humilde, com muitos sonhos, dentre eles o de legislar em prol de sua cidade, parece que terá que ampliar seus horizontes

O voto em Bolsonaro no Pará

O cientista político Dornélio Silva recentemente lançou um artigo em que analisou o perfil do eleitorado bolsonarista no Pará, tendo como base os dados das

Pará tem maior redução de desmatamento da Amazônia Legal em 2025

O Pará alcançou a maior redução de desmatamento, em quilômetros quadrados, entre os estados da Amazônia Legal em 2025, segundo dados divulgados pelo Programa de

Eleições 2022: Pesquisa Ipec aponta vitória de Helder no 1º turno e indefinição ao Senado

Pesquisa do Ipec divulgada neste sábado (3) e encomendada pela TV Liberal revela os índices de intenção de voto para o cargo de governador do

Com votação recorde, Tião Miranda é reeleito prefeito de Marabá

Tião Miranda (PSD) foi reeleito, neste domingo, 15, prefeito de Marabá, município da região de carajás, no pará. Com 100% das urnas apuradas, ele chegou

O levante de Edmilson

Depois de longo período com nível de rejeição nas alturas e baixa popularidade, o governo de Edmilson Rodrigues, do Psol, parece ter encontrado um caminho