Entre um e outro

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Recentemente, este veículo tratou da questão do Centrão e as eleições de 2022. No tocante à disputa presidencial, o citado agrupamento de partidos que, no momento, apoia o presidente Jair Bolsonaro (PL) em seu projeto de reeleição, também fica à espreita em relação ao líder das pesquisas, o ex-presidente Lula (PT). O que deixa claro – conforme anos anteriores – que independente de quem vença a eleição, o Centrão estará do lado, portanto, irá compor a base do próximo governo.

A tese um tanto quanto óbvia, é reforçada pela excelente matéria produzida sobre o tema pelos jornalistas Sandro Moser e Katia Brembatti, para a CNN Brasil, em seu especial de cobertura das Eleições 2022. Diz ela: “A capacidade de garantir apoio e aprovação no Congresso de projetos de interesse do governo federal, e até de blindar contra possíveis processos de impeachment, torna o Centrão um bloco cobiçado pelos dois principais pré-candidatos à Presidência: Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT)”. 

E reforça: “Para os partidos desse bloco, os ganhos são representados pelo acesso a cargos no governo e a recursos públicos. Mas, apesar do objetivo comum, o Centrão não se move como um único bloco. Integrantes do grupo, inclusive, se dividem entre Bolsonaro e Lula. Cinco legendas que são pilares do Centrão (PL, PP, Republicanos, PSC e PTB) fizeram parte da base dos governos Lula (2003-2011), mas hoje estão fechadas com o atual presidente. Essa aliança é sustentada por líderes como Valdemar Costa Neto, presidente do PL e que trouxe Bolsonaro para seu partido; Ciro Nogueira (PP-PI), ministro-chefe da Casa Civil; o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara; e Marcos Pereira, presidente do Republicanos”.

PL, PP, Republicanos, PSC e PTB somam cerca de ⅓ de apoio na Câmara dos Deputados, onde Bolsonaro encontra um ambiente mais favorável para aprovações de projetos de seu governo e barrando, por exemplo, qualquer possibilidade de impeachment. Tal posicionamento, digamos “confortável” do Centrão é consenso em Brasília. Outros analistas de peso concordam, como o jornalista William Waack, da CNN Brasil: “faltam menos de cinco meses para as eleições de outubro e já dá para cravar, cravar, um importante resultado: seja quem for o próximo presidente, o Centrão vai mandar muito. Essa é uma grande lição sobre política brasileira. Nunca antes o parlamento brasileiro teve tanto poder. E nunca antes o Centrão podia dizer o que diz hoje: se for Lula, ou se for Bolsonaro, até agora não apareceu uma terceira via, o Centrão está confortável”.

Já no Senado Federal, conforme matéria de Moser e Brembatti, a situação é diferente, não tanto favorável ao atual presidente. Figuras importantes da Câmara Alta, já estão ao lado de Lula, grande parte das bancadas do MDB e PSD, são exemplos desse alinhamento ao petista. Todavia, por lá, o presidente Jair Bolsonaro mantém apoio, mesmo dentro das duas legendas citadas.

Como foi dito em outro artigo, independente de quem vença a disputa presidencial, o Centrão terá muito força e continuará ser base governista. Nem Lula, nem Bolsonaro ousarão enfrentar essa tropa numerosa e altamente fisiologista.

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