O chefe do clima da ONU, Simon Stiell, afirmou nesta quinta-feira (12) que o combate às mudanças climáticas é crucial para enfrentar “um novo cenário de desordem mundial”.
“Esses desafios são reais e sérios, mas a ação climática pode trazer estabilidade a um mundo instável. Diante do caos atual, podemos e devemos impulsionar uma nova era de cooperação climática internacional”, afirmou o secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).
A UNFCCC é o órgão responsável por liderar as ações contra a emergência climática e organizar todas as COPs, as conferências mundiais do clima.
Este foi o primeiro discurso de Stiell na transição entre as COPs do Brasil e da Turquia. Suas palavras tentaram impulsionar de forma positiva o início das negociações em torno da COP31.
Stiell lembrou que a cooperação climática já passou por diferentes fases. Na primeira, disse, o mundo concentrou-se em compreender a dimensão do problema.
Na segunda, os países começaram a levar as soluções a sério, um processo que culminou na assinatura do Acordo de Paris, que, embora não tenha resolvido a crise climática, mudou o rumo da ação global e demonstrou que mudanças em grande escala são possíveis quando há coordenação internacional.
Ele destacou que, mesmo em meio à incerteza econômica e a turbulências políticas, a transição energética continuou avançando em 2025, com investimentos em energia limpa mais do que dobrando os destinados aos combustíveis fósseis e com as fontes renováveis ultrapassando o carvão como principal fonte de eletricidade no mundo.
O chefe do clima da ONU destacou ainda que, na COP30, em Belém, os governos reconheceram de forma unânime que a transição energética global se tornou irreversível e que o Acordo de Paris continua funcionando como base para acelerar esse processo.
Cooperação ameaçada
Apesar desses avanços, ele alertou que a cooperação climática enfrenta pressões sem precedentes.
Sem se referir diretamente ao governo do presidente Donald Trump, Stiell afirmou que existem forças políticas e econômicas tentando aumentar a dependência de carvão, petróleo e gás, mesmo diante das evidências científicas e do agravamento dos desastres climáticos.
Para ele, a resposta a esse cenário deve ser o que chamou de uma “terceira era” da ação climática, centrada na implementação prática das metas já acordadas. Isso inclui dobrar a eficiência energética, triplicar a capacidade de energia limpa até 2030, acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis, fortalecer a adaptação e ampliar significativamente o financiamento climático, sobretudo para países mais vulneráveis.
Outro ponto central, segundo Stiell, é aumentar o fluxo de financiamento climático e reduzir o custo do capital para países em desenvolvimento, garantindo que possam implementar plenamente seus planos de adaptação e redução de emissões. Ao longo do discurso, ele insistiu que a ação climática não deve ser vista apenas como uma agenda ambiental, mas como um elemento central da segurança global.
Stiell afirmou que eventos climáticos extremos agravam a fome, deslocam populações e aumentam o risco de conflitos, além de pressionar cadeias de suprimentos e elevar a inflação, fatores que afetam diretamente a estabilidade econômica e política.
Segundo ele, a expansão das energias renováveis representa hoje o caminho mais claro e mais barato para garantir segurança e soberania energética, protegendo países dos choques provocados por guerras, crises comerciais e volatilidade nos mercados de combustíveis fósseis.
Para o secretário-executivo, a cooperação climática pode funcionar como um antídoto para o atual cenário de tensões internacionais, oferecendo uma agenda comum capaz de aproximar países mesmo em um ambiente geopolítico fragmentado.
A COP31 vai ser realizada entre os dias 9 e 20 de novembro, em Antália.
Por Américo Martins (CNN Brasil)
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