A família Jatene de olho em 2018

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Belém, Pará, Brasil. Simão Jatene, governador do Pará e sua filha Izabela Jatene. Foto: Cezar Magalhães/Diário do Pará

O futuro político do governador do Pará, Simão Jatene, ainda é incerto. A questão levanta diversas especulações. As projeções indicam que o atual mandatário da política paraense deverá concorrer a uma vaga ao Senado Federal, em 2018. Para isso, Jatene precisará se descompatibilizar do cargo seis meses antes do processo eleitoral e ainda resolver a sua pendência com a Justiça Eleitoral.

O que se tem certo é que Simão não deverá “pendurar as chuteiras”, ou seja, encerrar a sua vida pública no fim do seu atual mandato, em dezembro de 2018. Agora mais uma especulação começa a tomar forma, a se concretizar: a possibilidade da filha do governador, Izabela Jatene, concorrer ao parlamento federal, em 2018.

Em seu currículo na plataforma Lattes do CNPQ a filha do governador se apresenta da seguinte forma: Doutoranda em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ). Mestrado em Antropologia pela Universidade Federal do Pará (1998) e Graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará (1993). É professora da Universidade Federal do Pará. Atua na área de Sociologia da Infância e Adolescência, com trabalhos direcionados à área da Juventude, Infância e Mulher, atuando principalmente nos seguintes temas: Políticas Públicas, criança e adolescente, formação de agentes, técnicas e instrumentos de gestão transformadora. Foi integrante do Comitê Gestor do Pro Paz do Governo do Estado do Pará, representando a Universidade Federal do Pará e Membro do Comitê Permanente da América Latina para a Prevenção do crime e Oficial de Projetos do ILANUD/COPLAD.

Izabela desde quando o pai reassumiu o Poder Executivo paraense, após o governo petista de Ana Júlia (2007-2010), a esteve no governo. Foi crescendo progressivamente em importância e influência. Assumiu a presidência da Fundação ProPaz, voltada para o atendimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Em seguida, meses depois, no fim do primeiro semestre de 2015, assumiu a então criada Secretaria Extraordinária de Integração de Políticas Sociais. Segundo nota emitida pelo governo à época: “Entre as atribuições da Secretaria Extraordinária de Integração das Políticas Sociais está a promover o aprofundamento da política de integração dos programas desenvolvidos pela administração estadual que atuam na área social, hoje executadas por diversas secretarias como Secretaria de Saúde, Secretaria de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda, Propaz, Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), entre outros. O objetivo é integrar ações para monitorar e ampliar ações tendo como meta elevar o Índice de Progresso Social (IPS)”.

Izabela Jatene ficou no cargo até anteontem (24), dia em que foi exonerada e nomeada para uma nova estrutura institucional do governo de seu pai: a Secretaria Extraordinária de Estado de Municípios Sustentáveis, segundo a publicação do Diário Oficial do Estado (DOE). A referida secretaria nascem sem estrutura física, mas com poderes institucionais extensos. A nova pasta irá articular ações com outros órgãos do Estado para instituir o Programa Estadual de Fomento ao Desenvolvimento Municipal – Municípios Sustentáveis. Ou seja, em ano que antecede disputa eleitoral, a filha do governador (que segundo o que se fala nos bastidores deverá ser candidata a uma das 17 cadeiras na Câmara Federal) terá em suas mãos a possibilidade de grande articulação política com centenas de prefeitos paraenses.

O governo resolveu promover em dois dias, ontem (26) e hoje (27), no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia encontro com prefeitos e secretários municipais para a apresentação e instalação do Fórum Permanente de Prefeitos e Prefeitas do Pará Sustentável.

Durante o evento, serão realizadas palestras e debates para que os gestores conheçam as bases dos três eixos de programas que buscam o desenvolvimento sustentável e harmônico do Estado, por meio do Pará Social, Pará Ambiental e do Pará 2030, que viabilizam o Programa Estadual de Fomento ao Desenvolvimento Municipal – Municípios Sustentáveis, elaborado em conjunto com diferentes instituições, como o Instituto Dialog, a ONU Habitat (Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos), entre outros.

O objetivo maior das ações que nortearão o Programa Municípios Sustentáveis, é estabelecer um esforço conjunto e com frentes integradas de combate à pobreza e a desigualdade. Entre os principais objetivos está o de equiparar o PIB (produto interno bruto) per capita do Pará ao do Brasil; produzir três milhões de novos empregos e aumentar a massa salarial em 85%; elevar e sustentar o crescimento da renda dos 40% mais pobres da população a uma taxa maior que a média estadual; proteger o meio ambiente (ar, solo e recursos hídricos); combater o desmatamento e preservar a biodiversidade, assegurando simultaneamente o crescimento econômico e social.

As apresentações acima exemplificam o tamanho do projeto institucional e por que não, político? A estratégia política de Jatene é clara: aumentar a relação com prefeitos. Criar condições de relacionamento permanente com os mandatários municipais. O governador tucano sabe que o atual ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, avança politicamente sobre os prefeitos e remaneja volumosos recursos de seu pomposo ministério para os municípios paraenses. Por isso, Simão resolveu se mover. Sair do seu marasmo alimentado por seu amplo e confortável gabinete no Palácio dos Despachos e fazer política de base, com os prefeitos, excelentes cabo-eleitorais. O governador sabe que a dinastia tucana está em risco.

Ainda há a pendência de seu processo na Justiça. Jatene está cassado e consequentemente inelegível. Mas a morosidade do judiciário e os intermináveis recursos embaralham ainda mais o jogo e as análises políticas-eleitorais, tornando o processo indefinido. Simão ao Senado e Izabela ao parlamento federal, seria uma grande dobradinha da família Jatene. No caso dela, o primeiro passo foi dado. Isso pode ser a prioridade da família, mesmo que custe o governo do Pará. 

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