O avanço dos generais

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Desde o período pós eleição, quando iniciou o processo de montagem do novo governo, esperava-se que parte dos ministérios seriam assumidos por militares. O que de fato ocorreu. Com a exoneração de Gustavo Bebianno da Secretária Geral da Presidência, quem assume é o General Floriano Peixoto, o oitavo militar que vira ministro no governo Bolsonaro.

No Palácio do Planalto há quatro gabinetes ministeriais, agora três deles são ocupados por generais. O único civil é o Ministro Chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Portanto, o presidente está cercado da alta cúpula militar.

A presença dos militares é muito maior do que se possa pensar. Cerca de cem pessoas com origem nas Forças Armadas ocupam postos em ministérios e estatais. Segundo números divulgados pelo próprio Palácio do Planalto, desse total, 46 militares estão em posições estratégicas no organograma, com a palavra final sobre políticas decisivas, como extração de minérios, modernização de comunicações, construção de estradas, manutenção de hidrelétricas e questões indígenas. 

A ala militar não é coesa, podendo ser dividida entre aqueles que aderiram ao projeto Bolsonaro de ideológica ou por proximidade pessoal, e outros que veem no capital reformado um barco do qual podem desembarcar se a nau se perder, conforme apurado por Igor Gielow, do Uol.

Lorenzoni ficou isolado em meio aos militares. Profissionais que cobrem diariamente o Palácio, dizem que a permanência dele no cargo desde o início não é uma unanimidade. Agora, isolado, sendo o único civil, a situação é, no mínimo desconfortável pelos salões do Palácio.

Mourão é outro general, sendo o único indemissível, e o primeiro na linha sucessória. Enquanto Bolsonaro gera crise, os generais executam uma política clara de ocupação de espaços. Por enquanto, já tomam para si o Palácio do Planalto.

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